Em uma das minhas mentorias com lideranças escolares, trabalhamos uma questão aparentemente simples:
O que estamos fazendo, concretamente, para desenvolver os profissionais que desejamos ter em nossas escolas?
É comum ouvir gestores dizerem que desejam professores mais autônomos, comprometidos, engajados e alinhados à proposta pedagógica.
Mas o que significa, na prática, ser um professor engajado? Quais comportamentos demonstram autonomia? Como reconhecemos o comprometimento?
Quando não conseguimos descrever o comportamento esperado, dificilmente conseguimos desenvolver ou avaliar sua evolução.
Durante a mentoria, utilizamos o planejamento docente como exemplo. Há uma diferença significativa entre o professor que planeja para organizar sua aula e aquele que planeja para proporcionar experiências de aprendizagem.
O primeiro está centrado na própria atuação. O segundo, na aprendizagem do aluno.
Essa mudança de perspectiva não acontece espontaneamente. Exige intencionalidade da liderança, acompanhamento, feedbacks descritivos e oportunidades de desenvolvimento.
E há outra dimensão igualmente importante: autonomia, competência e pertencimento não podem ser apenas expectativas da gestão. Precisam ser experiências vividas pelos profissionais.
Por isso, desenvolver equipes exige mais do que identificar dificuldades ou cobrar resultados. Exige definir onde queremos chegar e construir caminhos para que as pessoas avancem.
Liderar não é apenas esperar que os profissionais correspondam às nossas expectativas. É assumir nossa parcela de responsabilidade pelo desenvolvimento deles.
É esse olhar que orienta meu trabalho de mentoria e desenvolvimento de lideranças escolares.
Erica Moreira
Sócia da Antares Talentos