Quantas vezes você ouviu nos últimos tempos frases como: “depois a gente vê isso”, “estou sem tempo agora para discutirmos”, “depois a gente combina”, “vamos ver isso mais tarde”, “agora é se dedicar ao trabalho, não tenho tempo para outras coisas”?
Agora vamos piorar a situação: quantas vezes você mesmo usou algumas dessas frases nos últimos tempos?
No início deste ano, começamos a divulgar o Startrust, nossa ferramenta de levantamento de confiança da equipe — na empresa, na hierarquia, na equipe e com clientes e parceiros. Um dado importantíssimo para quem quer entender os problemas com evidências, mudar o rumo das coisas e crescer ao longo do ano.
Fomos a um cliente para apresentar a ferramenta. Atenção: apenas apresentar. Uma conversa de 30 minutos, no máximo. Ao iniciar, ele disse: “nesse momento estamos com outras prioridades, vamos conversar em janeiro do ano que vem.”
Saímos de lá pensando que tínhamos errado em alguma coisa. Depois descobrimos que o cliente é reconhecido exatamente por isso — por “empurrar com a barriga” tudo para uma data que nunca chega.
Isso explica por que tanta rotatividade de pessoas na empresa. Profissionais apresentam problemas a serem resolvidos e, como não são, saem em busca de um ambiente melhor.
Postergamos idas ao médico. Postergamos começar um exercício. Postergamos avaliar pontos dentro da empresa que possam exigir providências. Na vida pessoal, postergamos visitas aos pais, um contato maior com a família — porque estamos cansados e isso pode ficar para depois. Afinal, a família sempre estará por ali.
Atendemos executivos que, hoje aposentados, se sentem inúteis, tristes e desorientados depois de deixar o trabalho. Não construíram relacionamentos satisfatórios com cônjuges e filhos. Porque negligenciaram os papéis de pais, de filhos, de amigos, de companheiros.
O mais importante é ter a absoluta certeza de que a postergação cobra o seu preço. E não é barato.
Dependendo do perfil, algumas pessoas têm mais propensão a postergar. Isso é absolutamente previsível a partir do momento em que medimos os mapas comportamentais. Mas, independentemente do perfil, postergar coisas não é saudável — e é tão mais prejudicial quanto maior for a importância do problema e da decisão a ser tomada.
“Ah, mas eu realmente ando sem tempo.”
A única coisa que liga todas as pessoas do universo, independentemente de credo, raça, cor ou religião, é o tempo. Todos nós temos exatamente 24 horas, 1.440 minutos por dia — igualzinho, sem tirar nem pôr para ninguém. A diferença está na prioridade que damos a cada coisa.
Vamos fazer as contas. Em tese, temos 8 horas para dormir, 8 horas para trabalhar e 8 horas para outras coisas. É aí que mora o perigo. Qual prioridade temos dado para essas outras 8 horas? E, para piorar, quanto estamos tirando tempo das outras fatias para coisas que muitas vezes não têm importância nenhuma?
Aprecie este número: os brasileiros passam cerca de 116 horas por semana conectados à internet — o que equivale a mais de 52 anos de vida online. Esse dado faz parte de um estudo recente da NordVPN, divulgado em julho de 2026.
Segundo o estudo, a rotina diária de acesso começa por volta das 7h e vai até as 21h. Cerca de 2 horas e 50 minutos semanais são dedicados a chatbots de IA.
Leia com atenção: se trabalhamos entre 40 e 44 horas por semana — e, digamos que trabalhando o tempo inteiro na internet — ainda sobram 72 horas por semana online. Sabe fazendo o quê? Entretenimento. Redes sociais, streaming de filmes e séries, vídeos, músicas.
Ok. E o resto dos papéis que temos na vida? Onde se arruma tempo?
Não estou aqui para dar lição de moral ou ensinar você a viver a sua vida. A ideia deste artigo é simplesmente provocar uma reflexão sobre quantas coisas importantes estamos deixando de fazer com a desculpa de que “depois eu vejo” — e esse depois nunca chega. Principalmente quando se trata daquela “coisa chata” que precisa ser resolvida.
Vou contar uma experiência que tive esta semana e que valeu muito a pena.
Recebi a visita de um velho amigo e relembramos uma situação que envolvia uma festa em 1994. Lembrei que tinha fotos dessa festa — ainda em papel, guardadas naquela caixa que há anos eu não olhava.
Foram mais de 6 horas que usei. Não apenas procurando. Durante a busca, fui fotografando e enviando as fotos para pessoas daquela época com quem não falava há anos. O resultado? Muitas mensagens de agradecimento. Muitas lembranças que eu já havia esquecido. Contatos retomados. E, pasme, negócios à vista. Sim, duas dessas pessoas montaram empresas e podem utilizar os serviços que a Antares oferece. Foi apenas uma vez em anos, mas posso garantir: foram 6 horas fora do meu mundo atual, relembrando e reforçando velhas amizades — com a perspectiva de que esses reencontros gerem oportunidades.
Pense naquele álbum de fotografias da sua formatura. Onde estão esses seus amigos? O que fazem hoje? Onde estão? Como estão? Quem sabe algum deles seja a fonte da resposta que você está procurando agora.
Para terminar, se me permite uma sugestão: invista parte do seu tempo em relacionamentos. Como digo sempre, em tempos de IA, o que faz mais sentido é investir em pessoas. Afinal, são elas que apertam os botões que fazem a IA funcionar — ainda.
Postergue o menos possível. Colha os frutos do seu investimento em tempo. Desempenhe bem os seus papéis na vida.
Ela vai te recompensar com calor, afeto, boas risadas e dinheiro no bolso — porque os boletos sempre vencem.
Até a próxima.